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5 Reflexões sobre o Airbnb demitir 25% dos funcionários.

Ler a carta de Brian Chesky, presidente da Airbnb, é um misto de emoções e reflexões.


Photo by Ali Yahya on Unsplash


1. Dor, amor e cuidado


Um desligamento nunca é fácil, é um choque!


Por desligamentos fazer parte do dia a dia do RH e eu viver quase 15 anos nesse mundo, revivi muitos momentos difíceis enquanto lia o texto.



Ao ser desligado


Ficamos dominados pelo sentimento de incapacidade, de ser insuficiente.


Sempre falam que surgirão oportunidades incríveis que você não notaria se tivesse empregado, com o intuito de acalentar a dor – realmente acredito nisso por ter vivido algumas dessas oportunidades – mas na hora a única vontade é soltar um:

– Dá pra parar de conversa fiada e me explica porque eu?

ou

– Se eu sou tão bom quanto me fala, porque eu e não outra pessoa?


Nesse momento, o melhor a fazer é ser sincero, falar o que está sentindo: frustração, (in)satisfação, indignação, sempre com respeito, então deixe o líder – quem espera-se que esteja conduzindo essa conversa – pontuar.


Se ele não trazer respostas, pode ser que ele também não saiba. A lista de possíveis motivos pode virar um ouro artigo... 😳


Nesse caso o melhor a fazer é guardar os questionamentos consigo, e aos poucos ir refletindo o que pode ser melhor no seu novo caminho.


Quando se é o porta-voz


Por outro lado, também é muito difícil ser o porta-voz da decisão. Lembro da minha primeira vez – a tremedeira me dominou. Olhar nos olhos da pessoa e falar que a partir de agora, estar ali não fará mais parte do seu cotidiano; continuar olhando nos olhos dela, ver a feição se transformar enquanto você fala e se manter estável é incrivelmente difícil. As vezes, acontece de me emocionar, mas infelizmente com o tempo acabamos nos habituando.


O momento do desligamento é o encontro de duas dores diferentes, que então ali sendo vividas. Se a liderança não é transparente – e não me refiro apenas ao desligamento – você pode encontrar indícios naquela conversa com o funcionário.


Ei líder, nessa hora você pode estar recebendo algumas informações valiosas. Não deixe que a vida continue te mandando dicas dolorosas!


Lendo a carta, fiquei imaginando o quão difícil foi fazer essa comunicação.


Dá pra sentir a dor, o amor e o cuidado na escolha de cada palavra e em cada ação.


2. Mesmo com riscos, o apego aos princípios


Mesmo sendo uma notícia impactante, tendo o risco de criar caos e ansiedade, a decisão foi seguir a linha da transparência, tratando todos com dignidade e respeito.


É difícil praticar a transparências nas empresas. No discurso todas são, mas nas comunicações e nos 1-2-1 (bate-papo entre 2 pessoas) percebemos que a realidade é outra. Não conseguimos explicar, mas sentimos! Na troca de olhar as almas se encontram, e elas conversam.


Como ensinou a Vania Bueno

“Os olhos são a janela da alma.”

3. Princípios e coerência


Quando existem princípios e eles estão ligados a um propósito, a solução de problemas complexos se torna mais fácil, ainda que não menos dolorosa.


Nossa mente divaga em assuntos, situações e problemas – são vários filmes passando ao mesmo tempo – perder o foco do que é importante é muito fácil. Quando os princípios estão ali, somos chamados a todo momento para o que nos move.


Ao mesmo tempo, eles podem ser um tiro no pé se a empresa não É seus princípios. Porque a falta de coerência entre falar e fazer, o walk-the-talk, liquida sem dó!


“O que você é fala tão alto, que não consigo ouvir o que você está dizendo.”Ralph Waldo Emerson

Ao analisar cada tomada de decisão na carta, fica claro mais uma vez o cuidado e a coerência. Mesmo diante de um cenário hard é possível se manter fiel aos seus princípios, ser humano, continuar sendo inspirador e ainda ser aplaudido.

4. Se conectando com o que importa


É importante voltarmos o foco às nossas raízes, ao que nos move. Não falo só da empresa, mas das pessoas. Só depois de centrar no que realmente importa em nossas vidas, conseguiremos fazer com que isso transborde nas empresas, afinal ninguém abraça no sentido literal da palavra um CNPJ. É sempre sobre pessoas.


Aqui deixo uma provocação, para a imaginação brincar!

O que você faria ou faz de graça? (Essa deveria ser sua profissão)


5. Escrita afetuosa na empresa?


No livro como se encontrar na escrita, Ana Holanda fala da importância de se ter uma escrita afetuosa. A partir daí comecei a ler com outros olhos, e percebi como falta afeição na comunicação dentro das empresas.


Porém, lendo a carta de Brian, notei que ele não teve medo de se colocar no texto. Isso fez com que sentíssemos sua dor e lembrássemos que do outro lado existem pessoas, que sentem e precisam tomar decisões. Deixando claro que é possível sim ter uma escrita afetuosa na comunicação da empresa, mas ela precisa trazer verdade. Lembra do walk-the-talk?


Então, porque não se inspirar e trazer mais vida para a comunicação nas empresas? Quem vai dar o primeiro passo para construir um ambiente seguro, onde não tenhamos medo de sermos honestos?

Mostrar a vulnerabilidade, os humanos behind the scenes, faz com que a gente se conecte. E o que mais precisamos nesse momento é nos conectar com a humanidade dentro de cada um.

Conclusões


Empresas que “sobreviverem” a esse momento, se ainda não o fazem, precisarão não demonstrar, mas VIVER seu amor pelas pessoas e pela sua razão de existir.


E a todas as pessoas que estão sentindo a dor da mudança em suas vidas, sintam se abraçadas. Estamos caminhando para um mundo de possibilidades que merece ser divido e precisa do seu talento. Ao fim, a conexão com nossa humanidade prevalecerá e estará mais forte.


Se você chegou até aqui, muito obrigada por doar o seu tempo!


Você se sentiu especialmente conectado com algum ou alguns insights? Deixe-me saber nos comentários! 🙂


Essa é versão da carta em português, compartilhada por um grande amigo, que me proporcionou esta viagem incrível! Obrigada Carlos!